10 de outubro de 2013

✽ Resenha: Festa no Covil - Juan Pablo Villalobos

Down The Rabbit Hole
Autor: Juan Pablo Villalobos
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2012
Gênero: YA
Páginas: 96
Nota: 
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O romance de estreia de Juan Pablo Villalobos é surpreendente em muitos sentidos. Breve e incisivo ao revelar a face mais violenta da realidade (não apenas) mexicana sob uma ótica insólita, entra no cânone da narcoliteratura sem ceder aos tiques próprios do subgênero. Em Festa no covil, a vida íntima de um poderoso chefe do narcotráfico — Yolcault, ou “El Rey” — é narrada pelo filho. Garoto de idade indefinida, curioso e inteligente, o pequeno herói, que vive trancado num “palácio” sem saber a verdade sobre o pai, Reconta sem filtros morais o que presencia ou conhece pela boca dos empregados ou pela tevê. Seu passatempo é investigar secretamente os mistérios que entrevê, Colecionar chapéus e palavras difíceis e pesquisar sobre samurais, Reis da França e animais em extinção, sempre com o auxílio de seu preceptor — um escritor fracassado egresso da esquerda. Esse pequeno príncipe, tão mimado quanto privado de infância, tem um desejo obsessivo: completar seu minizoológico particular com o raríssimo hipopótamo anão da Libéria. Reveses nos negócios paternos e a conveniência de o grupo abandonar o México por um tempo acabam tornando realidade o safári para capturar o tal hipopótamo em risco de extinção. A viagem à África com seus percalços e o regresso ao “palácio” constituem a grande iniciação do narrador- protagonista, a quem só na última linha é dado chamar o pai de “pai”.
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*Atenção! : Nenhuma resenha contêm spoiler.*

   Como eu já disse no meu Book Haul, li Festa no Covil na escola, para fins didáticos. Talvez seja esse um dos motivos por eu não ter gostado muito do livro. Apesar disso, eu acho que o livro é um dos que tem a capa mais bonita (também já disse né?). Bom, vamos ao que interessa! 

   A história se passa no México, em uma época indefinida mas não antiga. O personagem principal se chama Tochtli. Ele, que é filho do conhecido "El Rey" do narcotráfico mexicano, Yolcault, não tem idade definida ao longo do livro e estima-se ser uma criança (4 - 6 anos). 
   Ele vive com seu "pai" no chamado "palácio" e quase que se trata de um palácio mesmo. Sua "família" é muito rica e você já deve saber porque. O garoto é, realmente, muito mimado. Só pra ter noção, ele tem um tipo de "zoológico" nessa sua casinha humilde e quer porque quer ter um hipopótamo anão da Libéria. Já até deu pra sacar o naipe né? Além disso, ele tem manias um tanto estranhas. Tochtli coleciona chapéus: de todos os tipos, países, modelos. Gosta de aprender palavras difíceis e isso sempre ocasiona controvérsias, pelo fato de, apesar de tudo, ele ser muito inocente. E é aí que começa um trama interessante.
   O menino não vai à escola, tendo assim um professor particular. Por reconhecer a falta de malícia do garoto, sua infantilidade e cegueira diante do que acontece em seus meios, esse homem está sempre (indiretamente) tentando trazê-lo à sua realidade, aos horríveis crimes que acontecem debaixo do próprio teto de onde ele mora. E é a partir desses fatos que a história (um tanto complicada pra uma resenha, eu sei) se desenvolve.

   Eu realmente não sei o porquê desse livro não ter me interessado tanto e reconheço pelas críticas, que o autor é muito bom. Eu espero ler outros livros dele, em que eu me apegue mais à história. Mas gente... Eu não me canso. QUE CAPA LINDA! Haha

Lombada de Festa no Covil
E vocês? Concordam comigo? (=



2 comentários:

  1. A capa é maravilhosa. Assim como a do último livro dele SE VIVÊSSEMOS EM UM LUGAR NORMAL, que espero comprar o quanto antes. O motivo de você não ter gostado do livro talvez seja por se tratar de "leitura obrigatória" mesmo. Nestes casos, o prazer não faz parte da operação. E, justiça seja feito, o mesmo efeito ocorre com quem seleciona. Gosto da ideia de ser um narrador-criança e como a distorção violenta do mundo que o cerca entra, quase ingenuamente, dentro do seu relato. Mas acho que faltou um pouco de dimensão infantil ao personagem, sei lá. Vemos tanto o mundo pelos olhos dele que não somos capazes de ver ele mesmo. O máximo que sabemos é que gosta de samurais, guilhotinas, anões e dicionário. O personagem deveria ser mais rico que isto para nos interessar, não? A viagem também não ajudou muito, porque embora a narrativa se desloque para outro espaço, saindo da prisão do palácio, o mundo externo parece acrescentar muito pouco ao livro. Se não nos afeiçoamos nem aos personagens, nem ao enredo (que parece inexistir), não há condição alguma de gostarmos do livro. Sem mencionar que aquela coisa do hipopótamo-anão-da-libéria atrapalha demais nosso envolvimento. Mesmo apontando todos estes erros para você, ainda acho que o livro tem sua força. Nunca um livro me pareceu tão violento como este que descreve a violência com uma fascinação infantil que chega a dar medo. Quando ele nos explica quantas vezes é necessário descer o facão num pescoço para arrancar a cabeça do corpo, nosso corpo nos enche de calafrios. E pensamos: "meu deus, que menino é este? que mundo é este onde ele vive?" Conheço muitos garotos que vivendo nos seus covis particulares (estes condomínios luxuosos que incluem miniflorestas, cascatas e heliportos), deslocando pela cidade de Goiânia, protegidas por trás de vidros com insulfilm até as escolas particulares ou os shopping-centers, possuem uma mentalidade muito próxima do nosso jovem-narrador. E como ele, estão igualmente protegidos da humanidade, da tolerância, da solidariedade, da comoção etc. E por estas razões, que quis adotar. Mas acho que fracassei. Ainda assim, siga seu próprio conselho e compre o próximo livro do autor. Pois a grande vantagem de leitores críticos como você (e eu também) é que somos muito generosos e estamos sempre dispostos a dar uma segunda chance a pessoas criativas. No fundo, no fundo, somos daquele tipo de pessoa extremamente benevolente e acolhedora que sempre diz para um livro recém-aberto: VAMOS, ME SURPREENDA!

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    1. Eu acho que o que não pegou mesmo foram esses pontos que você citou... E provando que essa tal ficção não está nem um pouco longe de quem convivemos (ou de nós mesmos), aproximando algo triste (se não horrível) à nossa realidade, assume a responsabilidade de Mazatzin (o professor de Tochtli), o que te deixa ainda mais surpreendente.

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